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Os por quês, porquês e porques

Ontem me perguntaram de onde vem o meu amor pela culinária. Perguntaram onde começou isso, se foi minha mãe que me ensinou a cozinhar e por ai vai. Bom, eu não tenho aquela tradição familiar de "cresci-vendo-minha-avó-cozinhando" não. Minha mãe sabe cozinhar muito bem, mas nunca gostou, talvez porque quando solteira, era obrigada a cozinhar na casa dos meus avós.  Então, depois que pôde escolher, passou a só cozinhar em ocasiões especiais, como natal, aniversário, páscoa, e nos domingo da minha infância, já que o nosso café era quase um brunch e ela fazia seus famosos bifes de domingo. (claro que nessas ocasiões, eu sempre prestei atenção e aprendi muita coisa com ela).


Minha avó materna, o máximo que vi ela fazer na cozinha foi cortar pão dormido bem fininho pra fazer torrada. Minha avó paterna, cozinhava bem, aquelas comidas pesadas, tipo munguzá com feijão de corda, bolo de batata doce, galinha à cabidela, guisado de carneiro, mas eu a via muito pouco, ela era meio nômade e morava a maior parte do tempo longe daqui.

Então, quem me ensinou a cozinhar?

Não sei.

As memórias mais antigas que eu tenho envolvendo o assunto são: assistir a Cozinha Maravilhosa da Ofélia, e colecionar os livros da União, que minha mãe trocava por rótulos dos produtos no supermercado. E aí, geralmente quando meus pais não estavam, eu fazia meus experimentos. Lembro que uma das pessoas que ficava comigo à noite quando saíam, era mais legal, e gostava de ir pra cozinha comigo. E assim, assistindo a Ofélia e lendo os livros de receita, fiz minha primeira baba de moça, minha primeira lata de leite condensado cozida na panela de pressão e meus primeiros biscoitos amanteigados. Até hoje lembro de como ficaram duros e crocantes os primeiros que fiz. Mas comi e levei de presente pra minha avó, com maior orgulho.

Com 8 anos já fazia macarronada, fazia bife, fazia bolo pros aniversários das minhas bonecas e chamava os pivetes da vizinhança. E fui cresendo assim, curiosa e querendo sempre cozinhar coisas novas. Lia tudo que podia, via receitas na tv - tinha que me virar né, não tinha internet naquele tempo - prestava atenção quando alguma tia ou prima mais velha cozinhava alguma coisa, pedia receita das coisas que comia...e muito cedo, já tinha meu próprio caderno de receitas - que guardo até hoje. Junto com um da minha mãe, dos anos 70, de antes de eu nascer, da época que eles moravam no México e minha mãe arrasava fazendo as melhores comidas nos encontros de brasileiros por lá ou mesmo mostrando a cozinha brasileira/cearense pros novos amigos mexicanos.

Hoje, continuo curiosa. Assisto todos os programas de receita aceitáveis que tem na tv, no youtube, vejo  programas sobre gastronomia de outros lugares do mundo, tô sempre lendo e querendo aprender mais e mais. E com certeza não sabia que o amor ia virar profissão. E talvez a Ofélia pela manhã nos meus tempos de criança, seja o meu referencial de avó que cozinhava divinamente bem e fez vários netos virarem chef de cozinha por causa disso. Aquela avó italiana que ensinou a fazer massas, a avó grega que ensinou a fazer moussaka, e por aí vai.

Nunca, nunca mesmo, vou esquecer o dia que fiz minha primeira torta de limão. Pedir uma forma emprestada a uma vizinha, conseguir, correr pra casa e depois de tudo pronto, ver aquela torta com o merengue douradinho saindo do forno....que emoção!

Ah, receita da Ofélia, claro!

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